O coração da mulher

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em mulheres.

A probabilidade da mulher, após a menopausa morrer de infarto é 50% maior quando comparada aos homens da mesma idade.

Por que o infarto é mais grave na mulher?

São diversas as razões e podemos enumerá-las:

1-Mulheres não vão ao cardiologista

Existe um mito equivocado de que doenças cardiovasculares só acometem homens.

As mulheres se preocupam muito com os exames ginecológicos, mas esquecem dos cuidados com a saúde cardiovascular, que mata mais que os cânceres de útero e de mamas somados. Apesar do alto risco, poucas mulheres visitam o cardiologista regularmente.

2-Hormônios femininos protegem a mulher só até a menopausa

Antes da menopausa, o estrógeno tem função vasodilatadora, evita o acúmulo do LDL, o colesterol ruim, e facilita a atividade do HDL, colesterol bom. Depois, as mulheres perdem esse efeito protetor do estrógeno.

Mulheres diabéticas formam uma população especial que merece atenção diferenciada, com risco sete vezes maior.

3-Mulheres vivem mais que os homens

Estatisticamente observa-se que as mulheres vivem mais do que os homens, portanto tem mais tempo para desenvolver a doença durante seu envelhecimento natural. Com o envelhecimento, a pressão arterial e o nível de colesterol tendem a aumentar. A falta de atividade física e a dieta inadequada levam ao sobrepeso e à obesidade, que também aumentam o risco cardiovascular. No momento da doença são mais velhas e possivelmente mais doentes.

4-A mulher na atualidade mudou seu estilo de vida

A mulher cada vez mais é responsável pela economia da família, o que muda seu estilo de vida. Sua jornada tripla aumentou o estresse e a ansiedade – fatores que também a deixa mais suscetível aos problemas cardíacos. Somado outras condições negligenciadas, como o crescimento da obesidade, o descontrole do diabetes e dos níveis do colesterol, tabagismo, sedentarismo, o estresse do dia a dia e a pressão arterial elevada, seu risco aumenta consideravelmente. A obesidade é um dos fatores de risco mais preocupantes, já que o número de mulheres obesas no Brasil cresceu 64% em 10 anos. Quando a mulher fuma e usa pílula anticoncepcional, os riscos cardiovasculares são triplicados.

5-Os sintomas de infarto não são característicos

As mulheres podem ter infarto silencioso ou apresentarem sintomas mascarados

enquanto nos homens, a dor no peito é um sinal clássico, elas se queixam de dor nas costas, cansaço, falta de ar, desmaio, sudorese, queimação no estômago e náusea, vômitos e associam a crise a outros problemas, retardando a procura do atendimento médico.

6-As causas de infarto são diversas

Elas apresentam maior variedade de causas, ou seja, enquanto os homens têm a doença aterosclerótica obstrutiva como origem praticamente exclusiva dos problemas cardíacos, as mulheres manifestam uma incidência maior de alterações vasculares, disfunções arteriais como a síndrome do coração partido, lesão após uma situação de estresse. Portanto, uma investigação diagnóstica detalhada é exigida, especialmente porque, embora tenham menos angina típica, as mulheres apresentam pior prognóstico.

O que podemos fazer para prevenir?

Acima dos 30 anos as mulheres já devem começar as visitas ao cardiologista, a cada dois ou três anos, em caráter preventivo e acima dos 40, melhor ir anualmente.

A maioria das doenças cardiovasculares podem ser prevenidas por meio da abordagem de fatores de risco comportamentais, como o uso de tabaco, dietas não saudáveis e obesidade, falta de atividade física e uso nocivo do álcool. Para as mulheres com doença cardiovascular estabelecida ou com alto risco cardiovascular, devido a presença de um ou mais fatores de risco como hipertensão, diabetes, hiperlipidemia é fundamental o diagnóstico e tratamento precoce, com uso adequado de medicamentos.

Quando existe o fator de risco genético, evidenciado pelo histórico familiar, é mais importante ainda controlar e tratar os demais fatores.

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Prof. Dra. Marisa Amato

Especialista em Cardiologia pela Associação Médica Brasileira. Mestrado em Ciências, na área de Fisiologia Humana, pela Universidade de São Paulo,1982. Doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo,1988. Bolsista de pós doutorado do governo alemão pela Fundação Alexander von Humboldt, em Hamburg, 1992/1993. Professora Livre Docente de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1998. Artigo Científico com repercussão internacional, publicado na Heart British Medical Journal, servindo de referência para o Consenso Europeu de Cardiopatias Valvares, 2001. MBA em Economia e Gestão em Saúde pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo,em 2005.Presidenta da Academia de Medicina de São Paulo, biênio 1997/1998. Membro do Conselho de Cultura da Associação Paulista de Medicina, biênio 1999/2002. Membro do Conselho de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo do Sesc e do Senac, desde março de 2008.Presidenta do Clube Humboldt do Brasil, eleita em novembro de 2008. CRM: 30400 RTE 056950