Você sabe o seu risco cardiovascular?

O que é risco cardiovascular?

Risco cardiovascular é a probabilidade que uma pessoa tem de vir a apresentar uma doença cardiovascular nos próximos 10 anos.

Como se avalia o risco cardiovascular?

Através do estudo dos fatores de risco

O que é doença cardiovascular?

A doença cardiovascular é a maior responsável pelas mortes no Brasil e no mundo, corresponde a mais de 56% de todos os óbitos.

As doenças cardiovasculares correspondem a aterosclerose das artérias que atingem o organismo inteiro e comprometem os órgãos nobres tais como o coração, levando ao infarto, as carótidas e artérias cerebrais, levando ao derrame, as artérias renais, levando a insuficiência renal e as artérias vasculares periféricas

O que é aterosclerose?

É o endurecimento da parede das artérias, pelo próprio envelhecimento ou pela formação de placas de ateroma, diminuindo a luz do vaso, consequentemente seu fluxo de sangue e prejudicando a irrigação dos tecidos e órgãos pelos quais essa artéria é responsável, causando a isquemia. Essa é uma doença sistêmica, que atinge o organismo inteiro, mas tem manifestações clínicas localizadas, isso que dizer que a pessoa que apresenta um enfarto do coração provavelmente tem outras artérias comprometidas.

Placa de ateroma se formando e interrompendo o fluxo sanguíneo
Existem artérias pelo corpo inteiro

Como surge a aterosclerose?

A aterosclerose é a doença mais estudada no mundo e, mesmo assim, ainda não se sabe sua causa, mas, dizemos que é uma doença multifatorial, pois conhecemos vários dos fatores que interferem em seu aparecimento e na sua evolução. Nós os chamamos de fatores de risco cardiovascular. Para controlar a aterosclerose é preciso controlar seus fatores de risco.

Quais são os fatores de risco cardiovasculares?

São as heranças, as alterações, as doenças ou o comportamento de uma pessoa que contribuem para o aparecimento e a evolução das doenças cardiovasculares. 

Podem ser divididos em três tipos:

-Irremovíveis – São fatores de risco inerentes ao indivíduo, como idade, sexo, antecedentes familiares e algumas alterações físicas, que já ocorreram, mesmo que ainda estejam ocultas, por exemplo, um infarto prévio.

-Controláveis – São fatores de risco que podem ser controlados, seja com medicamentos, seja com mudança de hábitos. É o caso da hipertensão arterial conhecida popularmente como pressão alta, diabetes,  colesterol elevado, estresse, obesidade e outros. Lembramos, porém, que o tratamento depende de como o organismo reage.

-Removíveis – São fatores de risco, como o nome sugere, dependem da vontade do indivíduo, e somente dele, para que sejam definitivamente afastados. É o caso do tabagismo, da falta de exercícios físicos, sedentarismo, e dos maus costumes alimentares como: qualidade, quantidade e freqüência de ingestão.

Importante ressaltar que a presença de mais de um fator de risco, não se soma, mas sim potencializa o risco de um evento.

Quem deve ter seu risco cardiovascular calculado?

Homens e mulheres com idade entre 40 e 65 anos de idade.

Fora dessa faixa não existem estudos para determinar o risco de morrer nos próximos 10 anos por doença cardiovascular. Mesmo assim, todos devem ser orientados preventivamente e tratados conforme as alterações presentes, e precocemente se houver histórico na família de doença cardiovascular.  Pessoas com doença cardiovascular estabelecida, isso quer dizer que já teve enfarto, com diabetes ou doença renal, já apresentam risco cardiovascular muito elevado, e todas as medidas preventivas e de tratamento devem ser as mais rigorosas possíveis.

Para que serve o cálculo do risco cardiovascular?

Conhecer o risco cardiovascular ajuda a definir as prioridades e os níveis de atuação necessários. Quanto maior o risco cardiovascular, mais rigorosas devem ser as metas e o controle do tratamento. Para ilustrar, pessoas com valores idênticos de pressão arterial ou de colesterol no sangue podem ter risco de vir a desenvolver uma doença cardiovascular muito diferente umas das outras, implicando uma abordagem distinta tanto em termos preventivos como nos tratamentos. O cálculo do risco cardiovascular permite essa individualização e assim, cada um pode assumir as melhores alternativas para a sua saúde.

Grande parte dos indivíduos  com mais de 45 anos de idade que são considerados de baixo risco em 10 anos, na verdade são de alto risco ao longo do tempo de vida.

Além de que a idade por si só já é um fator de risco, nessa situação a presença de apenas um fator de risco já leva o indivíduo para a classificação de risco intermediário ou grave.

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Prof. Dra. Marisa Amato

Especialista em Cardiologia pela Associação Médica Brasileira. Mestrado em Ciências, na área de Fisiologia Humana, pela Universidade de São Paulo,1982. Doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo,1988. Bolsista de pós doutorado do governo alemão pela Fundação Alexander von Humboldt, em Hamburg, 1992/1993. Professora Livre Docente de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1998. Artigo Científico com repercussão internacional, publicado na Heart British Medical Journal, servindo de referência para o Consenso Europeu de Cardiopatias Valvares, 2001. MBA em Economia e Gestão em Saúde pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo,em 2005.Presidenta da Academia de Medicina de São Paulo, biênio 1997/1998. Membro do Conselho de Cultura da Associação Paulista de Medicina, biênio 1999/2002. Membro do Conselho de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo do Sesc e do Senac, desde março de 2008.Presidenta do Clube Humboldt do Brasil, eleita em novembro de 2008. CRM: 30400 RTE 056950