A aterosclerose é uma das doenças mais prevalentes e silenciosas do sistema cardiovascular, sendo responsável pela maioria dos eventos cardíacos e cerebrovasculares em todo o mundo. Caracterizada pelo acúmulo progressivo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias, essa condição compromete o fluxo sanguíneo e pode levar a consequências graves como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.
Estima-se que a aterosclerose seja a causa subjacente de aproximadamente 50% de todas as mortes nos países ocidentais. No Brasil, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de óbito, com mais de 400 mil mortes anuais, e a aterosclerose está na raiz da grande maioria desses eventos. Compreender essa doença é fundamental para a prevenção e o tratamento adequado.
Neste artigo, você encontrará informações completas e atualizadas sobre a aterosclerose: desde os mecanismos que levam à formação das placas até as opções de diagnóstico e tratamento disponíveis atualmente. Veja definições de termos médicos caso encontre alguma palavra desconhecida ao longo do texto.
O Que É Aterosclerose?
A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica das artérias de médio e grande calibre. Ela se desenvolve ao longo de décadas, iniciando-se muitas vezes na juventude e progredindo silenciosamente até manifestar-se clinicamente, geralmente após os 40 ou 50 anos de idade.
Disfunção Endotelial: O Início do Processo
O endotélio é a camada mais interna das artérias, composta por uma única camada de células que funciona como uma barreira protetora entre o sangue e a parede arterial. Em condições normais, o endotélio desempenha funções essenciais:
- Regula o tônus vascular (dilatação e contração das artérias)
- Impede a adesão de células inflamatórias e plaquetas
- Produz óxido nítrico, uma substância vasodilatadora e protetora
- Mantém o equilíbrio entre coagulação e anticoagulação
Quando o endotélio é lesado por fatores como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol elevado ou estresse oxidativo, ocorre o que chamamos de disfunção endotelial. Essa disfunção é considerada o evento inicial e fundamental para o desenvolvimento da aterosclerose. O endotélio disfuncional torna-se mais permeável às lipoproteínas de baixa densidade (LDL), o chamado “colesterol ruim”, e passa a expressar moléculas de adesão que atraem células inflamatórias.
Formação da Placa Aterosclerótica
Uma vez que o LDL penetra na parede arterial, ele sofre modificações químicas, principalmente por oxidação. O LDL oxidado é altamente tóxico e desencadeia uma resposta inflamatória intensa. Monócitos (células de defesa do sangue) são recrutados para a parede arterial, onde se transformam em macrófagos. Esses macrófagos englobam o LDL oxidado e se transformam em células espumosas — assim chamadas por sua aparência microscópica repleta de gotículas de gordura.
O acúmulo de células espumosas forma as chamadas estrias gordurosas, que são as lesões mais precoces da aterosclerose. Essas estrias podem ser encontradas já na adolescência e representam o estágio inicial da formação das placas.
Progressão e Complicações da Placa
Com o passar dos anos, o processo inflamatório persistente leva à migração e proliferação de células musculares lisas, que produzem uma matriz de tecido fibroso sobre o núcleo lipídico. Forma-se então a placa aterosclerótica madura, composta por:
- Núcleo lipídico: rico em colesterol, células espumosas e debris celulares
- Capa fibrosa: composta por colágeno, elastina e células musculares lisas
- Componente inflamatório: linfócitos, macrófagos e mediadores inflamatórios
As placas podem ser estáveis (com capa fibrosa espessa e núcleo lipídico pequeno) ou instáveis/vulneráveis (com capa fibrosa fina e núcleo lipídico grande). As placas instáveis são particularmente perigosas porque podem se romper subitamente, expondo o núcleo lipídico ao sangue circulante e desencadeando a formação de um trombo (coágulo), que pode obstruir completamente a artéria — causando um infarto ou AVC.
Onde a Aterosclerose Se Desenvolve
A aterosclerose é uma doença sistêmica, ou seja, pode afetar artérias em diversas partes do corpo. A aterosclerose afeta todo o sistema arterial. Conheça os tratamentos vasculares disponíveis. Os locais mais frequentemente acometidos incluem:
Artérias Coronárias
As artérias coronárias são os vasos que irrigam o próprio músculo cardíaco. A aterosclerose coronariana é a causa mais comum de doença arterial coronariana (DAC), angina e infarto agudo do miocárdio. Quando as placas reduzem significativamente o fluxo sanguíneo ao coração, o músculo cardíaco sofre isquemia (falta de oxigênio), manifestando-se como dor no peito.
Artérias Carótidas
As artérias carótidas são responsáveis pela irrigação do cérebro. A aterosclerose carotídea pode levar à formação de placas que estreitam o vaso ou, pior, fragmentos da placa podem se desprender e migrar para vasos cerebrais menores, causando acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) ou ataques isquêmicos transitórios (AITs).
Artérias Periféricas
A doença arterial periférica (DAP) afeta principalmente as artérias dos membros inferiores. A redução do fluxo sanguíneo para as pernas causa sintomas como dor ao caminhar (claudicação intermitente) e, em casos graves, pode levar a úlceras e até amputações.
Artérias Renais
A aterosclerose das artérias renais pode comprometer o fluxo sanguíneo para os rins, levando a hipertensão renovascular (pressão alta de difícil controle) e, progressivamente, à insuficiência renal crônica.
Aorta
A aorta é a maior artéria do corpo. A aterosclerose aórtica pode levar à formação de aneurismas (dilatações perigosas), especialmente na aorta abdominal, que podem se romper com risco de vida. Além disso, placas ateroscleróticas na aorta podem ser fontes de embolização para diversos órgãos.
Fatores de Risco para Aterosclerose
A aterosclerose é uma doença multifatorial, ou seja, diversos fatores contribuem para seu desenvolvimento e progressão. Conhecer esses fatores é essencial para a prevenção.
Colesterol LDL Elevado
O LDL-colesterol é o principal fator de risco modificável para a aterosclerose. Níveis elevados de LDL no sangue aumentam a quantidade de lipoproteínas que penetram na parede arterial, acelerando a formação de placas. As diretrizes atuais recomendam manter o LDL abaixo de 70 mg/dL para pacientes de alto risco cardiovascular e abaixo de 50 mg/dL para aqueles de risco muito alto.
Hipertensão Arterial
A pressão arterial elevada exerce força excessiva sobre as paredes das artérias, danificando o endotélio e facilitando a entrada de LDL na parede vascular. A hipertensão é um dos fatores de risco mais prevalentes na população brasileira, afetando cerca de 30% dos adultos.
Tabagismo
O tabagismo é um dos fatores de risco mais potentes para a aterosclerose. As substâncias tóxicas do cigarro causam dano direto ao endotélio, aumentam a oxidação do LDL, promovem inflamação, elevam a pressão arterial e favorecem a formação de trombos. Parar de fumar é a medida isolada mais eficaz para reduzir o risco cardiovascular.
Diabetes Mellitus
O diabetes, tanto tipo 1 quanto tipo 2, acelera significativamente o processo aterosclerótico. A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) causa disfunção endotelial, aumenta o estresse oxidativo, promove inflamação e altera o metabolismo lipídico. Pacientes diabéticos têm risco cardiovascular equivalente ao de pacientes que já tiveram um infarto.
História Familiar e Genética
A predisposição genética desempenha papel importante na aterosclerose. Ter parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos) que desenvolveram doença cardiovascular precocemente — antes dos 55 anos em homens ou 65 anos em mulheres — aumenta significativamente o risco individual. Condições genéticas como a hipercolesterolemia familiar podem elevar dramaticamente os níveis de LDL desde o nascimento.
Idade e Sexo
O risco de aterosclerose aumenta com a idade. Homens são afetados mais precocemente que mulheres, pois os estrogênios exercem efeito protetor sobre o sistema cardiovascular feminino. Após a menopausa, o risco nas mulheres se equipara progressivamente ao dos homens.
Inflamação Crônica
Marcadores inflamatórios como a proteína C-reativa de alta sensibilidade (PCR-as) estão associados a maior risco de eventos cardiovasculares. Doenças inflamatórias crônicas como artrite reumatoide, lúpus e psoríase também aumentam o risco de aterosclerose. A inflamação é hoje reconhecida como um componente central da doença aterosclerótica, não apenas um fenômeno secundário.
Sintomas da Aterosclerose por Localização
A aterosclerose é frequentemente chamada de “assassina silenciosa” porque pode progredir por décadas sem causar qualquer sintoma. Quando os sintomas surgem, geralmente indicam que a doença já está em estágio avançado. Os sintomas variam conforme a localização das artérias acometidas.
Sintomas na Aterosclerose Coronariana — Angina
Quando as artérias coronárias estão significativamente obstruídas (geralmente acima de 70% da luz do vaso), o paciente pode apresentar:
- Angina (dor no peito): sensação de pressão, aperto ou queimação no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, costas ou estômago
- Dispneia (falta de ar): especialmente aos esforços
- Fadiga: cansaço desproporcional às atividades realizadas
- Infarto agudo do miocárdio: quando há obstrução completa súbita da artéria, com dor intensa e prolongada, suor frio, náuseas e risco de morte
Sintomas na Aterosclerose Carotídea — AIT e AVC
A aterosclerose das artérias carótidas pode manifestar-se como:
- Ataque isquêmico transitório (AIT): episódios breves de fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar, perda visual temporária em um olho — que se resolvem em minutos a horas
- AVC isquêmico: sintomas semelhantes ao AIT, porém persistentes, com potencial para causar sequelas permanentes ou morte
- Tontura, confusão mental e dificuldade de equilíbrio
O AIT é considerado um sinal de alerta importante, indicando que o paciente apresenta risco elevado de sofrer um AVC completo em curto prazo. Toda pessoa com sinais sugestivos de AIT deve procurar atendimento médico de emergência imediatamente.
Sintomas na Doença Arterial Periférica — Claudicação
A aterosclerose nas artérias das pernas causa:
- Claudicação intermitente: dor em forma de cãibra ou queimação nas panturrilhas, coxas ou nádegas ao caminhar, que alivia com o repouso
- Pés e pernas frios ao toque
- Palidez ou cianose (coloração arroxeada) dos pés
- Cicatrização lenta de feridas nos membros inferiores
- Isquemia crítica: dor em repouso, úlceras e gangrena nos casos mais avançados
Diagnóstico da Aterosclerose
O diagnóstico da aterosclerose envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem. O objetivo é identificar a presença e a extensão da doença, bem como estratificar o risco cardiovascular do paciente. Agende sua avaliação cardiovascular para uma investigação completa e personalizada.
Perfil Lipídico
O exame de sangue para avaliação do perfil lipídico é fundamental e deve incluir:
- Colesterol total
- LDL-colesterol (o principal alvo terapêutico)
- HDL-colesterol (o “colesterol bom”)
- Triglicerídeos
- Apolipoproteína B (Apo B) e Lipoproteína(a) — marcadores que fornecem informações adicionais sobre o risco
Além do perfil lipídico, outros exames sanguíneos como glicemia, hemoglobina glicada, creatinina, PCR de alta sensibilidade e homocisteína podem ser solicitados para avaliar fatores de risco associados.
Doppler de Carótidas
O ultrassom com Doppler das artérias carótidas é um exame não invasivo, indolor e amplamente disponível que permite visualizar as artérias carótidas e identificar a presença de placas, medir o grau de estenose (estreitamento) e avaliar as características da placa (estável ou instável). Também permite medir a espessura íntima-média (EIM), um marcador precoce de aterosclerose subclínica.
Escore de Cálcio Coronariano (Angiotomografia)
A tomografia computadorizada para avaliação do escore de cálcio coronariano é um exame extremamente útil para detectar aterosclerose em estágio subclínico. Ele quantifica a presença de cálcio nas artérias coronárias, que é um marcador direto de placas ateroscleróticas. Um escore de cálcio elevado indica maior carga aterosclerótica e maior risco de eventos cardiovasculares futuros.
- Escore 0: ausência de calcificação — risco muito baixo
- Escore 1-99: calcificação leve — risco baixo a moderado
- Escore 100-399: calcificação moderada — risco moderado a alto
- Escore ≥400: calcificação extensa — risco alto
Índice Tornozelo-Braquial (ITB)
O ITB é um exame simples e não invasivo que compara a pressão arterial medida no tornozelo com a pressão medida no braço. Um ITB inferior a 0,9 indica presença de doença arterial periférica e é um marcador de aterosclerose sistêmica, associado a maior risco de infarto e AVC.
Angiografia (Cateterismo)
A angiografia coronariana (cateterismo cardíaco) é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de obstruções nas artérias coronárias. Consiste na introdução de um cateter, geralmente pela artéria radial (no punho) ou femoral (na virilha), até as artérias coronárias, com injeção de contraste para visualização das obstruções. É indicada quando há forte suspeita clínica de doença coronariana significativa ou quando os exames não invasivos são inconclusivos.
Tratamento da Aterosclerose
O tratamento da aterosclerose é multifacetado e visa reduzir a progressão da doença, estabilizar as placas existentes, aliviar os sintomas e prevenir eventos cardiovasculares graves. A abordagem terapêutica combina mudanças no estilo de vida, tratamento medicamentoso e, quando necessário, procedimentos invasivos.
Estatinas e Metas Lipídicas
As estatinas são a classe de medicamentos mais importante no tratamento da aterosclerose. Além de reduzirem o LDL-colesterol, as estatinas possuem efeitos anti-inflamatórios e estabilizadores de placa. As principais estatinas utilizadas incluem a rosuvastatina e a atorvastatina em altas doses.
As metas de LDL-colesterol variam conforme o risco cardiovascular do paciente:
- Risco muito alto: LDL abaixo de 50 mg/dL
- Risco alto: LDL abaixo de 70 mg/dL
- Risco intermediário: LDL abaixo de 100 mg/dL
Quando as estatinas isoladamente não são suficientes para atingir as metas, podem ser associados outros medicamentos como ezetimiba (que reduz a absorção intestinal de colesterol) e os inibidores de PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe), que são anticorpos monoclonais altamente eficazes na redução do LDL. Mais recentemente, o ácido bempedoico e a inclisirana surgiram como alternativas adicionais.
Terapia Antiagregante Plaquetária
Medicamentos antiagregantes plaquetários como o ácido acetilsalicílico (AAS) e o clopidogrel são utilizados para reduzir o risco de formação de trombos sobre as placas ateroscleróticas. O AAS em baixa dose (75-100 mg/dia) é amplamente utilizado na prevenção secundária (em pacientes que já tiveram eventos cardiovasculares). Seu uso na prevenção primária (em pessoas sem eventos prévios) é mais controverso e deve ser individualizado.
Controle da Pressão Arterial
O controle rigoroso da pressão arterial é fundamental para retardar a progressão da aterosclerose. A meta pressórica para a maioria dos pacientes hipertensos é inferior a 130/80 mmHg. As classes de anti-hipertensivos mais utilizadas incluem inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA), bloqueadores dos canais de cálcio e diuréticos.
Mudanças no Estilo de Vida
As modificações no estilo de vida constituem o pilar fundamental do tratamento e incluem:
- Alimentação saudável: dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e azeite de oliva (padrão mediterrâneo); redução de gorduras saturadas, gorduras trans, açúcares e sódio
- Exercício físico regular: pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade intensa
- Cessação do tabagismo: essencial e com benefício imediato sobre o risco cardiovascular
- Controle do peso: manutenção de um índice de massa corporal (IMC) adequado
- Controle do estresse: técnicas de relaxamento, meditação e atividades de lazer
- Sono de qualidade: 7 a 9 horas por noite, com investigação e tratamento de apneia do sono quando presente
Intervenção Coronária Percutânea (ICP — Angioplastia com Stent)
A angioplastia é um procedimento minimamente invasivo realizado durante o cateterismo cardíaco. Consiste na dilatação da artéria obstruída com um balão e na implantação de um stent (uma pequena estrutura metálica em forma de tubo) para manter a artéria aberta. Os stents modernos são farmacológicos — revestidos com medicamentos que reduzem a chance de reestenose (reobstrução).
A angioplastia é indicada especialmente em situações agudas (infarto) e em pacientes com sintomas que não melhoram com o tratamento medicamentoso adequado.
Cirurgia de Revascularização (Ponte de Safena/Mamária)
A cirurgia de revascularização miocárdica, popularmente conhecida como “ponte de safena”, é indicada para pacientes com doença aterosclerótica grave e extensa, envolvendo múltiplas artérias coronárias ou o tronco da coronária esquerda. Nessa cirurgia, utilizam-se enxertos vasculares (artéria mamária interna, veia safena) para criar novos caminhos para o sangue contornar as obstruções.
Em casos de aterosclerose grave das carótidas, a endarterectomia carotídea (remoção cirúrgica da placa) pode ser indicada para prevenir AVC. Para a doença arterial periférica grave, procedimentos de revascularização com angioplastia ou bypass cirúrgico também podem ser necessários.
Prevenção da Aterosclerose
A prevenção da aterosclerose é possível e altamente eficaz. As medidas preventivas podem ser divididas em prevenção primária (evitar o desenvolvimento da doença) e prevenção secundária (impedir a progressão e recorrência de eventos em quem já tem a doença).
As estratégias preventivas fundamentais incluem:
- Manter o colesterol sob controle: realizar exames periódicos e tratar quando necessário
- Controlar a pressão arterial: monitoramento regular e tratamento adequado
- Não fumar: evitar o tabagismo em qualquer forma
- Manter o diabetes sob controle: com hemoglobina glicada idealmente abaixo de 7%
- Adotar uma alimentação equilibrada: priorizando o padrão mediterrâneo
- Praticar exercício físico regularmente: pelo menos 150 minutos por semana
- Manter um peso saudável: com circunferência abdominal adequada
- Gerenciar o estresse: buscando equilíbrio emocional e qualidade de vida
É importante destacar que a prevenção deve começar cedo. Estudos demonstram que o controle dos fatores de risco desde a juventude reduz drasticamente a incidência de eventos cardiovasculares na idade adulta. Consultas regulares com o cardiologista permitem a identificação precoce de fatores de risco e o início oportuno das medidas preventivas e terapêuticas.
A aterosclerose afeta todo o sistema arterial. Conheça os tratamentos vasculares disponíveis para uma abordagem integral da saúde vascular.
Perguntas Frequentes sobre Aterosclerose
A aterosclerose tem cura?
A aterosclerose não tem cura definitiva, mas pode ser controlada e, em alguns casos, parcialmente revertida. Estudos clínicos demonstraram que o tratamento intensivo com estatinas pode reduzir o volume das placas ateroscleróticas. O mais importante é que, com o controle adequado dos fatores de risco e o tratamento medicamentoso correto, é possível estabilizar as placas e reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC.
Qual é a diferença entre aterosclerose e arteriosclerose?
Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, existem diferenças. Arteriosclerose é um termo genérico que se refere ao endurecimento e espessamento das paredes arteriais, independentemente da causa. Aterosclerose é um tipo específico de arteriosclerose, caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura e colesterol nas artérias. A aterosclerose é a forma mais comum e clinicamente mais relevante de arteriosclerose.
A aterosclerose pode afetar pessoas jovens?
Sim. Estudos realizados em soldados jovens falecidos em guerras demonstraram a presença de placas ateroscleróticas já na adolescência e no início da idade adulta. Fatores como hipercolesterolemia familiar, tabagismo precoce, obesidade, diabetes tipo 1 e sedentarismo podem acelerar o processo. Por isso, é fundamental que hábitos saudáveis sejam adotados desde cedo e que fatores de risco genéticos sejam investigados quando há história familiar positiva.
Quais alimentos ajudam a prevenir a aterosclerose?
A dieta mediterrânea é a mais estudada e recomendada para a prevenção cardiovascular. Alimentos benéficos incluem: peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha, atum), azeite de oliva extravirgem, frutas e vegetais variados, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas), grãos integrais, leguminosas e alimentos ricos em fibras. Deve-se evitar ou reduzir o consumo de carnes processadas, frituras, alimentos ultraprocessados, refrigerantes e doces em excesso.
O escore de cálcio coronariano é um exame obrigatório para todos?
Não é obrigatório para todos, mas é particularmente útil para pacientes de risco cardiovascular intermediário, nos quais o resultado pode mudar a conduta terapêutica. Não é indicado para pacientes de baixo risco (que provavelmente terão escore zero) nem para pacientes de risco muito alto (que já devem receber tratamento intensivo independentemente do resultado). A indicação deve ser feita pelo cardiologista, considerando o perfil individual de cada paciente.
Qual a relação entre aterosclerose e infarto?
O infarto agudo do miocárdio ocorre na grande maioria das vezes como consequência direta da aterosclerose coronariana. Quando uma placa aterosclerótica instável se rompe, forma-se um trombo (coágulo) que pode obstruir completamente a artéria coronária, interrompendo o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco. Sem oxigênio, as células cardíacas começam a morrer, configurando o infarto. Por isso, o controle da aterosclerose é a principal estratégia para prevenir infartos.
Vídeo: Má Circulação e Pressão Alta — Dr. Alexandre Amato
O Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, explica a relação entre má circulação e hipertensão, e como a aterosclerose compromete o sistema arterial.
Vídeo: Artérias Entupidas — Dr. Alexandre Amato
O Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, apresenta 6 passos comprovados para combater o acúmulo de cálcio nas artérias e proteger o coração da aterosclerose.
Conclusão
A aterosclerose é uma doença crônica, progressiva e potencialmente grave, mas que pode ser efetivamente prevenida e tratada. O conhecimento dos fatores de risco, a adoção de hábitos de vida saudáveis e o acompanhamento médico regular são as melhores ferramentas para combater essa condição. Com os avanços da medicina moderna — incluindo medicamentos altamente eficazes e procedimentos minimamente invasivos —, é possível controlar a doença e viver com qualidade e longevidade.
Se você possui fatores de risco para aterosclerose ou deseja realizar uma avaliação cardiovascular completa, agende sua avaliação cardiovascular. A detecção precoce e o tratamento adequado podem salvar vidas. Veja definições de termos médicos para esclarecer quaisquer dúvidas sobre os conceitos abordados neste artigo.


