Entendendo a fibrilação atrial (FA)

Cardiologista em São Paulo / Sampa / SPAutor:

Prof. Dra. Marisa Amato
Cardiologista
Livre Docente em Cardiologia pela USP
CRM 30400 RTE 056950

(11) 5053-2222Tratamento de Infertilidade em Laboratório de Reprodução Humana Av Brasil, 2283, São Paulo, SPClínica de Reprodução Humana: Ajuda para engravidar FacebookTwitterYoutubeLinkedin
FA

Fibrilação Atrial

FA

O coração trabalha como uma bomba impulsionando o sangue para todas as regiões do corpo, é formado por quatro câmaras, dois átrio e dois ventrículos. O átrio direito recebe o sangue do corpo e o esquerdo dos pulmões. Os ventrículos que ficam abaixo são as principais bombas. O ventrículo direito bomba o sangue para os pulmões, para ser oxigenado e o esquerdo, bomba o sangue já oxigenado para o corpo inteiro.

Essa bomba é coordenada por um sistema elétrico que transmite ao músculo cardíaco a ordem para ele bater. O nódulo sinusal, fica no átrio direito e funciona como marca-passo cardíaco. Daí sai o comando para o coração bater. Esse impulso elétrico atravessa o coração inteiro através do músculo cardíaco.

Cada impulso elétrico nasce do átrio. Essas câmeras se contraem pelo estimulo elétrico, o que ajuda o sangue a fluir para o ventrículo  e o impulso nos ventrículos, causa uma contração maior, impulsionando o sangue para fora do órgão.

Quando o coração está em FA, quer dizer que o átrio perdeu o comando, está com problema no  seu sistema elétrico. Ele perde o ritmo regular e passa a bater desordenadamente e com frequência maior.

 

A fibrilação atrial representa 1/3 das internações por alterações do ritmo cardíaco

Sua incidência aumenta com a idade, a partir de 50 anos, duplica a cada década. Acomete cerca de 10% de ambos os sexos na faixa etária de 80 anos ou mais. Em 30% dos casos é isolada e idiopática ou seja, ocorre na ausência de cardiopatia. Apresenta incidência  de 2:1 de homens:mulheres.

 

O que causa a FA?

Geralmente a causa da FA 9Fibrilação Atrial) é desconhecida, mas alguns fatores de risco aumentam a chance de seu aparecimento. Ocorre geralmente em pacientes com insuficiência coronariana, infarto prévio, em insuficiência cardíaca e mesmo em pessoas que nunca apresentaram doença cardíaca

Outras causas são:

  • Hipertensão arterial
  • Cirurgia cardíaca recente
  • Inflamação cardíaca, ou seja miocardites ou pericardites
  • Cardiopatias congênitas
  • Hipertireoidismo
  • Doença aguda ou crônica do pulmão
  • Diabetes
  • Abuso do álcool
  • Uso de drogas estimulantes
  • Apneia do sono
  • Síndrome metabólica
  • Outras

 

 

Por que é necessário tratar a FA?

Mesmo sem apresentar sintomas a presença de FA aumenta o risco de :

  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Embolias sistêmicas
  • Insuficiência cardíaca
  • Cansaço e fadiga crônica
  • Outros problemas de arritmia
  • Insuficiência circulatória

 

Qual o melhor tratamento para FA?

O tratamento correto depende da causa, do tipo de FA, dos sintomas e do nível de comprometimento cardíaco.

O objetivo do tratamento são três metas:

  1. controlar a frequência cardíaca
  2. reverter ao ritmo normal, se possível
  3. prevenir a embolia

O tratamento farmacológico da FA ainda não é definitivo, os medicamentos disponíveis apenas controlam o problema. O uso de anticoagulantes ou antiplaquetários para a prevenção são imprescindíveis. Entretanto, a tecnica de ablação por catéter tem evoluído muito e cada vez apresenta menos complicações. Ainda falta muito para esse ser o tratamento padrão da FA, mas em muitos casos já tem sua indicação como primeira escolha.

 

Como prevenir a embolia?

A prevenção da formação de êmbolos no coração, decorrente da FA, é parte fundamental do tratamento. Seu controle adequado diminui em menos de 1% o risco de embolia.

Os medicamentos mais frequentemente utilizados são a varfarina e o ácido acetil salicílico (AAS). Porém hoje existe uma nova classe de medicamentos que também podem ser prescritos, são eles: dabigatran, rivoraxaban e apixaban.

Todos esses medicamentos reduzem a habilidade do sangue de se coagular, o que ajuda a diminuir o risco do tromboembolismo em pacientes com FA.

 

O que é possível fazer para prevenir a FA?

O controle dos fatores de risco cardiovasculares, tais como  hipertensão arterial,  tabagismo,  diabetes, obesidade e do alcoolismo, podem prevenir mais da metade dos casos de FA.