O infarto do miocárdio, popularmente conhecido como ataque cardíaco, é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. A cada ano, estima-se que mais de 400.000 brasileiros sofram um infarto agudo do miocárdio, e aproximadamente 30% desses casos evoluem para óbito antes mesmo de chegar ao hospital. Trata-se de uma emergência médica em que cada minuto conta: quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores são as chances de sobrevivência e menor é o dano ao músculo cardíaco.
Compreender os sinais, os fatores de risco e as medidas preventivas é fundamental para salvar vidas. Neste artigo, abordaremos de forma completa tudo o que você precisa saber sobre o infarto do miocárdio — desde a fisiopatologia até a reabilitação, passando por diagnóstico, tratamento e prevenção. As informações aqui apresentadas têm embasamento nas diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da American Heart Association (AHA) e da European Society of Cardiology (ESC).
O que é infarto do miocárdio?
O infarto do miocárdio ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco (miocárdio) é interrompido de forma abrupta e prolongada, levando à morte celular (necrose) dessa região. O coração é irrigado pelas artérias coronárias, que fornecem oxigênio e nutrientes essenciais para o funcionamento do músculo cardíaco.
Na grande maioria dos casos, o infarto resulta de um processo chamado aterosclerose — o acúmulo progressivo de gordura, colesterol e outras substâncias na parede interna das artérias, formando as chamadas placas de ateroma. A aterosclerose não afeta apenas as artérias coronárias — compromete todo o sistema arterial. Saiba mais sobre doenças vasculares.
O mecanismo do infarto geralmente segue esta sequência:
- Formação da placa de ateroma: ao longo de anos, lipídios e células inflamatórias se acumulam na parede arterial, formando uma placa que estreita progressivamente a luz do vaso.
- Ruptura ou erosão da placa: fatores como estresse mecânico, inflamação intensa ou espasmo arterial podem causar a ruptura da capa fibrosa que recobre a placa, expondo seu conteúdo ao sangue circulante.
- Formação do trombo (coágulo): em contato com o material da placa rompida, as plaquetas se ativam e iniciam o processo de coagulação, formando um trombo que pode obstruir parcial ou totalmente a artéria coronária.
- Isquemia miocárdica: com a obstrução do fluxo sanguíneo, a região do miocárdio irrigada por aquela artéria deixa de receber oxigênio suficiente, entrando em sofrimento (isquemia).
- Necrose miocárdica: se a isquemia persiste por tempo suficiente — geralmente mais de 20 a 30 minutos —, as células cardíacas começam a morrer de forma irreversível. Quanto maior a área de necrose, maior o comprometimento da função cardíaca.
A extensão do infarto depende de qual artéria coronária foi acometida, do local da obstrução e do tempo até o restabelecimento do fluxo sanguíneo. Por isso, a expressão “tempo é músculo” é tão utilizada em cardiologia de emergência.
Fatores de risco para infarto do miocárdio
Os fatores de risco para o infarto do miocárdio podem ser divididos em modificáveis (aqueles sobre os quais podemos atuar) e não modificáveis (aqueles que não podemos alterar, mas que devemos conhecer para intensificar a prevenção).
Fatores de risco modificáveis
- Hipertensão arterial: a pressão alta danifica a parede interna das artérias, favorecendo o depósito de gordura e acelerando a aterosclerose. É o principal fator de risco cardiovascular no Brasil.
- Diabetes mellitus: os níveis elevados de glicose no sangue provocam lesão endotelial, inflamação crônica e disfunção vascular, aumentando significativamente o risco de infarto.
- Dislipidemia: níveis elevados de colesterol LDL (“colesterol ruim”) e triglicerídeos, bem como níveis baixos de colesterol HDL (“colesterol bom”), contribuem diretamente para a formação das placas de ateroma. Consulte definições de termos médicos para compreender melhor esses conceitos.
- Tabagismo: o cigarro lesiona o endotélio vascular, aumenta a agregação plaquetária, eleva a pressão arterial e reduz o HDL. Fumantes têm risco de infarto até três vezes maior que não fumantes.
- Obesidade e sobrepeso: o excesso de gordura corporal, especialmente a gordura abdominal (visceral), está associado a resistência insulínica, inflamação sistêmica e perfil lipídico desfavorável.
- Sedentarismo: a falta de atividade física regular contribui para obesidade, hipertensão, diabetes e dislipidemia — uma cascata de fatores de risco.
- Estresse crônico: o estresse psicológico persistente eleva os níveis de cortisol e catecolaminas, promovendo inflamação, aumento da pressão arterial e predisposição à trombose.
- Consumo excessivo de álcool: embora o consumo moderado tenha sido debatido como potencialmente cardioprotetor, o consumo excessivo eleva a pressão arterial, favorece arritmias e causa cardiomiopatia.
Fatores de risco não modificáveis
- Idade: o risco de infarto aumenta progressivamente com a idade. Em homens, o risco se eleva significativamente a partir dos 45 anos; em mulheres, a partir dos 55 anos (após a menopausa).
- Sexo: homens têm maior incidência de infarto em idades mais jovens. Após a menopausa, o risco nas mulheres se iguala ao dos homens.
- Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos) que sofreram infarto ou doença coronariana precoce (antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres) aumenta substancialmente o risco individual.
Sintomas do infarto do miocárdio
Reconhecer os sintomas de um infarto é uma questão de vida ou morte. O quadro clínico pode variar entre os pacientes, mas existem sinais clássicos e manifestações atípicas que merecem atenção.
Sintomas clássicos
- Dor ou desconforto no peito: é o sintoma mais frequente. Descrita como uma sensação de aperto, pressão, queimação ou peso na região central ou esquerda do tórax, geralmente com duração superior a 20 minutos.
- Irradiação da dor: a dor pode se estender para o braço esquerdo, ombro, mandíbula, pescoço, costas ou região do estômago (epigástrio).
- Falta de ar (dispneia): pode ocorrer com ou sem dor torácica, sendo indicativa de comprometimento da função cardíaca.
- Sudorese fria: suor intenso e frio acompanhando a dor torácica é um sinal de alerta importante.
- Náuseas e vômitos: podem acompanhar o quadro, especialmente em infartos de parede inferior do coração.
- Sensação de ansiedade ou medo iminente: muitos pacientes descrevem uma sensação de “morte iminente” durante o evento.
Sintomas atípicos
Certos grupos de pacientes podem apresentar sintomas diferentes dos clássicos, o que pode dificultar e atrasar o diagnóstico. Os sintomas atípicos são mais comuns em:
- Mulheres: podem apresentar fadiga inexplicável, dor nas costas, desconforto abdominal, tontura e dispneia como sintomas predominantes, sem a dor torácica clássica.
- Idosos (acima de 75 anos): podem apresentar confusão mental, fraqueza, queda sem motivo aparente ou apenas falta de ar.
- Pacientes diabéticos: devido à neuropatia diabética, podem não sentir dor torácica (infarto silencioso), apresentando apenas mal-estar, sudorese ou dispneia.
Infarto silencioso
Estima-se que até 20% dos infartos ocorram de forma silenciosa — sem sintomas evidentes ou com sintomas tão leves que passam despercebidos. Esses casos são diagnosticados posteriormente por alterações no eletrocardiograma ou em exames de imagem. O infarto silencioso é particularmente perigoso porque, mesmo sem sintomas, causa dano ao miocárdio e aumenta o risco de insuficiência cardíaca e novos eventos cardiovasculares.
O que fazer diante de um infarto?
Se você ou alguém próximo apresentar sintomas sugestivos de infarto, cada segundo conta. Veja o que fazer:
- Ligue imediatamente para o SAMU 192 ou dirija-se ao pronto-socorro mais próximo. Não espere os sintomas passarem — muitas mortes por infarto ocorrem nas primeiras horas do evento.
- Mastigue um comprimido de ácido acetilsalicílico (AAS) de 200 mg — desde que não tenha alergia ao medicamento. O AAS inibe a agregação plaquetária e pode ajudar a reduzir a formação do coágulo.
- Não dirija até o hospital sozinho. Durante o infarto, podem ocorrer arritmias graves, perda de consciência ou parada cardíaca, colocando em risco sua vida e a de outras pessoas no trânsito.
- Permaneça em repouso enquanto aguarda o socorro, preferencialmente sentado ou recostado.
- Não tome outros medicamentos sem orientação médica.
- Se houver parada cardíaca: inicie compressões torácicas (massagem cardíaca) imediatamente e solicite um desfibrilador externo automático (DEA), se disponível.
O tempo ideal para abertura da artéria obstruída é de até 12 horas após o início dos sintomas, mas os melhores resultados são obtidos nas primeiras 2 horas — chamadas de “janela de ouro” do tratamento.
Diagnóstico do infarto do miocárdio
O diagnóstico do infarto combina avaliação clínica, exames laboratoriais e métodos de imagem. A rapidez na confirmação diagnóstica é essencial para iniciar o tratamento adequado.
Eletrocardiograma (ECG)
O ECG é o primeiro exame a ser realizado na suspeita de infarto. Deve ser obtido em até 10 minutos da chegada ao pronto-socorro. Ele permite identificar alterações elétricas características, como o supradesnivelamento do segmento ST (indicativo de infarto com obstrução total da artéria) ou outras alterações como infradesnivelamento de ST e inversão de onda T.
Marcadores de necrose miocárdica
- Troponina cardíaca (I ou T): é o marcador mais sensível e específico de lesão miocárdica. Eleva-se nas primeiras 3 a 6 horas após o início do infarto e permanece elevada por até 14 dias. A troponina de alta sensibilidade permite detecção ainda mais precoce.
- CK-MB (creatinoquinase fração MB): eleva-se nas primeiras 4 a 6 horas e retorna ao normal em 48 a 72 horas. É útil para detectar reinfarto precoce.
Ecocardiograma
A ecocardiografia permite avaliar a função do ventrículo esquerdo, identificar alterações de contratilidade regional (áreas do coração que não se contraem adequadamente) e diagnosticar complicações mecânicas do infarto, como insuficiência mitral aguda ou comunicação interventricular.
Cateterismo cardíaco (coronariografia)
A coronariografia é o exame padrão-ouro para visualizar diretamente as artérias coronárias e identificar o local e a gravidade da obstrução. No infarto com supradesnivelamento de ST (IAMCSST), o cateterismo é realizado em caráter de emergência, pois permite a desobstrução imediata da artéria por meio da angioplastia primária.
Tipos de infarto do miocárdio
A classificação dos tipos de infarto é importante para orientar o tratamento e compreender a causa do evento.
IAMCSST e IAMSSST
- Infarto com Supradesnivelamento de ST (IAMCSST / STEMI): ocorre quando há obstrução total e aguda de uma artéria coronária, geralmente por um trombo formado sobre uma placa de ateroma rompida. Requer tratamento de reperfusão imediato (angioplastia primária ou trombólise).
- Infarto sem Supradesnivelamento de ST (IAMSSST / NSTEMI): resulta de obstrução parcial ou transitória da artéria coronária. Os marcadores de necrose (troponina) estão elevados, mas o ECG não mostra supradesnivelamento de ST persistente. O tratamento é estratificado conforme o risco do paciente.
Classificação universal do infarto (Tipos 1 a 5)
- Tipo 1 — Infarto espontâneo: relacionado à ruptura, erosão ou fissura de placa de ateroma com formação de trombo intraluminal. É o tipo mais comum.
- Tipo 2 — Infarto por desequilíbrio oferta/demanda: ocorre quando uma condição diferente da doença coronariana primária causa desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio pelo miocárdio (ex.: anemia grave, taquiarritmia, sepse, hipotensão).
- Tipo 3 — Infarto com morte súbita: morte cardíaca com sintomas sugestivos de isquemia, em que os marcadores de necrose não puderam ser coletados.
- Tipo 4a — Infarto relacionado à angioplastia (ICP): elevação de troponina após procedimento de intervenção coronária percutânea.
- Tipo 4b — Infarto por trombose de stent: confirmado por coronariografia ou autópsia.
- Tipo 5 — Infarto relacionado à cirurgia de revascularização (CABG): elevação de troponina após cirurgia de ponte de safena ou mamária.
Tratamento do infarto do miocárdio
O tratamento do infarto visa restabelecer o fluxo sanguíneo para a área afetada o mais rapidamente possível, limitar a extensão da necrose e prevenir complicações. As estratégias variam conforme o tipo de infarto e a infraestrutura disponível.
Angioplastia primária (Intervenção Coronária Percutânea — ICP)
A angioplastia primária é o tratamento de escolha para o IAMCSST quando disponível em tempo hábil (até 90 a 120 minutos do primeiro contato médico). Consiste na introdução de um cateter com balão na artéria obstruída, seguida pela implantação de um stent (uma pequena estrutura metálica em forma de malha) para manter a artéria aberta. Os stents farmacológicos, revestidos com medicamento que inibe a proliferação celular, são os mais utilizados atualmente.
Trombólise (fibrinólise)
Quando a angioplastia primária não está disponível dentro do tempo recomendado, a administração de medicamentos trombolíticos (como tenecteplase ou alteplase) pode ser realizada para dissolver o coágulo e restaurar o fluxo sanguíneo. Deve ser administrada idealmente nos primeiros 30 minutos após a chegada ao hospital. Após a trombólise, o paciente deve ser transferido para um centro com capacidade de cateterismo para avaliação complementar.
Cirurgia de revascularização miocárdica (CABG)
Em casos selecionados — como obstrução do tronco da coronária esquerda, doença triarterial grave com disfunção ventricular ou complicações mecânicas —, a cirurgia de ponte de safena ou mamária pode ser indicada. A decisão entre angioplastia e cirurgia é individualizada, frequentemente discutida em uma equipe multidisciplinar chamada Heart Team.
Terapia medicamentosa
Os medicamentos desempenham papel central no tratamento agudo e na prevenção de novos eventos:
- Dupla antiagregação plaquetária: combinação de AAS (ácido acetilsalicílico) com um inibidor do receptor P2Y12 (clopidogrel, ticagrelor ou prasugrel) por pelo menos 12 meses, para prevenir trombose do stent e novos eventos.
- Estatinas de alta potência: como atorvastatina ou rosuvastatina, para redução agressiva do colesterol LDL e estabilização das placas de ateroma. A meta é atingir LDL abaixo de 50 mg/dL.
- Betabloqueadores: como metoprolol, carvedilol ou bisoprolol, para reduzir a frequência cardíaca, a pressão arterial e o consumo de oxigênio pelo miocárdio, protegendo contra arritmias e remodelamento cardíaco.
- Inibidores da ECA (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina (BRA): como enalapril, ramipril ou losartana, para prevenir o remodelamento ventricular e reduzir a progressão para insuficiência cardíaca.
- Anticoagulantes: heparina não fracionada ou enoxaparina durante a fase aguda do tratamento.
- Nitratos: para alívio da dor anginosa, embora não tenham demonstrado redução de mortalidade.
Recuperação e reabilitação cardíaca
Após o tratamento agudo do infarto, inicia-se uma fase crucial: a reabilitação cardíaca. Esse processo multidisciplinar tem como objetivos recuperar a capacidade funcional, reduzir o risco de novos eventos cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Fases da reabilitação cardíaca
- Fase I — Hospitalar: inicia-se ainda durante a internação, com mobilização precoce, exercícios respiratórios, orientações sobre a doença e suporte psicológico.
- Fase II — Ambulatorial supervisionada: realizada em centros especializados, com exercícios aeróbicos e de resistência progressivos, acompanhados por equipe multiprofissional (cardiologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo).
- Fase III — Não supervisionada: o paciente já tem autonomia para realizar exercícios em ambientes comunitários (academias, parques), mantendo acompanhamento médico periódico.
- Fase IV — Manutenção: incorporação definitiva da atividade física e do estilo de vida saudável como parte da rotina diária.
Estudos mostram que a reabilitação cardíaca bem conduzida pode reduzir a mortalidade cardiovascular em até 25% a 30% e diminuir significativamente as taxas de reinternação.
O acompanhamento cardiológico após o infarto é essencial para prevenir novos eventos. Conheça o Amato Instituto de Medicina Avançada, referência em atendimento cardiológico individualizado e multidisciplinar.
Retorno às atividades
O retorno ao trabalho, à atividade sexual e à direção de veículos deve ser avaliado individualmente pelo cardiologista, geralmente entre 2 a 6 semanas após o evento, dependendo da extensão do infarto e da recuperação clínica.
Prevenção primária e secundária
A prevenção é a ferramenta mais poderosa contra o infarto do miocárdio. Ela se divide em prevenção primária (evitar o primeiro evento) e prevenção secundária (evitar recorrência em quem já teve infarto).
Prevenção primária
- Alimentação saudável: dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes e azeite de oliva. Reduzir o consumo de gorduras saturadas, açúcares adicionados, sódio e alimentos ultraprocessados.
- Atividade física regular: pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada (caminhada rápida, natação, ciclismo) ou 75 minutos de atividade intensa, combinados com exercícios de resistência 2 vezes por semana.
- Cessação do tabagismo: parar de fumar reduz o risco cardiovascular em até 50% no primeiro ano e se iguala ao de não fumantes em 5 a 15 anos.
- Controle do peso: manter o índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9 kg/m² e a circunferência abdominal dentro dos limites recomendados (abaixo de 90 cm para homens e 80 cm para mulheres).
- Controle da pressão arterial: manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, com medidas comportamentais e, quando necessário, medicamentos anti-hipertensivos.
- Controle do colesterol: monitorar o perfil lipídico regularmente e utilizar estatinas quando indicado pelo cardiologista.
- Controle do diabetes: manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% (individualizado conforme o perfil do paciente).
- Gerenciamento do estresse: práticas como meditação, ioga, psicoterapia e atividades de lazer contribuem para a saúde cardiovascular.
Prevenção secundária
Para quem já sofreu um infarto, a prevenção secundária é ainda mais rigorosa e inclui:
- Adesão rigorosa à terapia medicamentosa prescrita (dupla antiagregação, estatina, betabloqueador, IECA/BRA).
- Participação em programa de reabilitação cardíaca.
- Controle ainda mais intensivo dos fatores de risco (meta de LDL abaixo de 50 mg/dL).
- Consultas cardiológicas regulares com exames de acompanhamento.
- Vacinação contra influenza e pneumococo, que demonstraram reduzir eventos cardiovasculares em pacientes coronariopatas.
Infarto em mulheres
Historicamente, a doença coronariana foi considerada predominantemente masculina. Essa percepção equivocada tem contribuído para o subdiagnóstico e o subtratamento do infarto em mulheres, com consequências graves: a mortalidade por infarto é maior em mulheres do que em homens, particularmente nas mais jovens.
Diferenças na apresentação clínica
As mulheres frequentemente apresentam sintomas atípicos, o que pode levar a atrasos no diagnóstico:
- Dor torácica menos intensa ou ausente: a dor no peito pode ser descrita como desconforto difuso, queimação ou pressão menos intensa que a relatada por homens.
- Fadiga extrema e inexplicável: muitas mulheres referem cansaço desproporcional dias ou semanas antes do infarto.
- Dor nas costas, pescoço ou mandíbula: sem dor torácica associada.
- Dispneia, náuseas, tontura: podem ser os sintomas predominantes.
- Desconforto abdominal: frequentemente confundido com problemas gastrointestinais.
Fatores de risco específicos nas mulheres
- Menopausa precoce (antes dos 40 anos).
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP).
- Pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional: complicações na gravidez que indicam maior risco cardiovascular futuro.
- Doenças autoimunes: como lúpus e artrite reumatoide, mais frequentes em mulheres, aumentam o risco cardiovascular.
- Uso de anticoncepcionais hormonais combinados associado ao tabagismo.
É fundamental que mulheres com fatores de risco cardiovascular realizem avaliação cardiológica periódica e que profissionais de saúde mantenham alto grau de suspeição diagnóstica para infarto nesse grupo.
Perguntas frequentes sobre infarto do miocárdio
1. Quanto tempo dura a dor de um infarto?
A dor do infarto geralmente dura mais de 20 minutos e não melhora com repouso ou com o uso de medicamentos comuns como analgésicos. Diferentemente da angina estável, que alivia com repouso ou nitrato sublingual, a dor do infarto é persistente e pode durar horas se não tratada.
2. É possível ter um infarto sem sentir dor no peito?
Sim. O chamado infarto silencioso ou atípico pode ocorrer sem dor torácica. Isso é mais comum em pacientes diabéticos, idosos e mulheres. Nesses casos, os sintomas predominantes podem ser falta de ar, fadiga, náuseas, sudorese fria ou desconforto em outras regiões do corpo. Estima-se que até 20% dos infartos sejam silenciosos.
3. Qual a diferença entre infarto e parada cardíaca?
O infarto é um problema de circulação — a obstrução de uma artéria coronária impede o fluxo de sangue para parte do coração. A parada cardíaca é um problema elétrico — o coração para de bombear sangue efetivamente. O infarto pode causar parada cardíaca, mas nem toda parada cardíaca é causada por infarto.
4. Quem já teve um infarto pode fazer exercícios físicos?
Sim, e deve fazê-los! A atividade física supervisionada faz parte da reabilitação cardíaca e é fundamental para a recuperação. O tipo, a intensidade e a progressão dos exercícios devem ser orientados pelo cardiologista e pelo fisioterapeuta, geralmente após avaliação com teste ergométrico ou cardiopulmonar.
5. Infarto tem cura?
O dano causado ao músculo cardíaco durante o infarto é irreversível — a área que sofreu necrose é substituída por tecido cicatricial, que não se contrai. Porém, com tratamento adequado, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, muitos pacientes recuperam boa qualidade de vida e capacidade funcional satisfatória.
6. Jovens podem ter infarto?
Sim. Embora menos frequente, o infarto pode ocorrer em pessoas jovens, especialmente quando há fatores de risco como tabagismo, uso de drogas (particularmente cocaína e anfetaminas), história familiar de doença coronariana precoce, dislipidemias hereditárias (como a hipercolesterolemia familiar) ou condições como dissecção espontânea de coronária.
7. Qual o tempo máximo para tratar um infarto?
No IAMCSST, a janela ideal para angioplastia primária é de até 12 horas após o início dos sintomas, com os melhores resultados obtidos nas primeiras 2 horas. Para a trombólise, o benefício é máximo nas primeiras 3 horas. Após 12 horas, os benefícios da reperfusão diminuem substancialmente, embora casos selecionados possam ainda se beneficiar.
8. Quais medicamentos devo tomar após um infarto?
A prescrição é individualizada, mas tipicamente inclui: AAS (uso contínuo), um segundo antiagregante plaquetário por 12 meses, estatina de alta potência, betabloqueador e inibidor da ECA ou BRA. Nunca suspenda ou altere a medicação por conta própria — converse sempre com seu cardiologista.
Vídeo: Infarto do Miocárdio explicado pela Dra. Marisa Amato
Assista à explicação detalhada da Profa. Dra. Marisa Amato sobre o infarto do miocárdio, seus sintomas, causas e o que fazer em uma emergência cardíaca.
Conclusão
O infarto do miocárdio permanece como uma das maiores causas de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo. No entanto, os avanços na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento de reperfusão transformaram significativamente o prognóstico dessa doença nas últimas décadas.
A chave para reduzir o impacto do infarto está em três pilares fundamentais: prevenção (controle dos fatores de risco), reconhecimento rápido dos sintomas (com busca imediata por socorro — SAMU 192) e tratamento adequado e oportuno (angioplastia primária dentro da janela terapêutica).
Após o infarto, a adesão ao tratamento medicamentoso, a reabilitação cardíaca e as mudanças no estilo de vida são essenciais para prevenir novos eventos e garantir uma boa qualidade de vida. O acompanhamento regular com um cardiologista é indispensável nesse processo.
Se você possui fatores de risco ou deseja realizar uma avaliação cardiológica completa, procure orientação médica especializada. A prevenção é sempre o melhor caminho.
Artigo revisado pela Profa. Dra. Marisa Campos Moraes Amato, cardiologista, professora de Cardiologia e especialista em prevenção cardiovascular.
